Coaching Empresarial

Você montou sua empresa para realizar seus sonhos ou para ter um emprego?

Outro dia, durante uma visita a Carlos (assim chamarei para não o expor), um empresário do ramo de oficina mecânica, questionei o que o motivou a abrir sua empresa. “Paixão! Sempre fui apaixonado por carros”, respondeu prontamente e sem pensar.

Uma resposta perfeitamente normal e compreensível considerando que, quando se inicia um negócio com paixão, se torna muito mais estimulante. Mas lógico que não foi apenas a paixão que fez com que Carlos tivesse um surto de empreendedorismo ao pedir demissão de seu estável emprego, sacar toda sua poupança e ainda fazer um empréstimo de 30 mil reais com seu sogro para iniciar sua oficina. Havia uma motivação a mais, uma força motriz que o impulsionou a tomar tal decisão.

Por que alguém em sã consciência agiria de tal forma? “Não se deve largar o certo pelo duvidoso!”, afirmou categoricamente sua receosa e segura esposa quando Carlos comunicou sua ideia de empreender. Carlos queria mais, ele tinha sonhos que seu salário não sustentaria. Carlos queria ter três oficinas em cidades diferentes, pois ele queria ser um empreendedor do ramo, queria viajar, conhecer a Europa, Estados Unidos e o Nordeste e, com seu salário de mecânico, Carlos fora no máximo até o litoral catarinense.

Ao aprofundar minha conversa com Carlos, fui percebendo sua realidade e suas frustrações. Após 8 anos de oficina própria, uma única oficina, não conseguia tirar uma semana de férias, limitando-se apenas a finais de semana ou feriadões prolongados, pois ele é o principal mecânico de uma turma de 6 em sua empresa. As compras de peças dependem dele, assim como o pagamento de contas e os orçamentos, se ele não fizer ninguém fará, afinal “os funcionários não fazem isso tão bem feito quanto eu”, afirmou Carlos quando eu questionei por que ele não delega isso às suas duas funcionárias do escritório.

Suas crenças o fazem trabalhar doze horas por dia, pois os serviços mecânicos mais especializados é só ele quem faz pois, segundo Carlos, é o coração de seu negócio. Quando brinquei com ele dizendo que assim deve estar ganhando um pro-labore de 50 mil por mês, Carlos respondeu que eu poderia cortar um zero, revelando assim sua segunda crença: “mas é a crise, tá ruim para todos”.

Para meu espanto, mesmo sem tirar férias, longe de realizar seus sonhos, ganhando pouco, ter sua empresa dependendo dele como um bebê recém nascido e sendo um escravo de seu próprio negócio, Carlos estava feliz, pois realizava sua paixão por concertar carros todos os dias. Parecia totalmente conformado com sua vida e sua rotina.

Quando questionei sobre como ficaram seus sonhos, percebi seu olhar de tristeza, tentando desviar do assunto e mascarando sua frustração pessoal quanto a isso. Logo percebi ali uma dura realidade que estava presente em muitos empresários que atendi: Carlos montou sua empresa para ter um emprego.

Assim como Carlos, muitos empresários desconhecem ou simplesmente não acreditam que para ter sucesso, para crescer e aparecer, suas empresas não podem ser dependentes do dono, aliás, não podem depender de ninguém, não necessitam ter pessoas incríveis trabalhando, mas sim processos incríveis e uma liderança eficiente, pois isso encurta o caminho para que a empresa possa realizar seus sonhos.

E você, montou sua empresa para realizar seus sonhos, ou apenas para ter um emprego, assim como o Carlos?

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